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Resumos
Trabalhos Científicos

Halitose
Halitosis

Vania Silva*, Bruna Sales*, Sonia Groisman*, Eliane Toledo Carvalho**
* Faculdade de Odontologia - Departamento de Odontologia
Social e Preventiva da UFRJ.
** Faculdade de Odontologia - Departamento de Clínica da Uerj.

Resumo
Halitose é um sintoma que afeta grande parte da população causando constrangimento e isolamento social. Essa sintomatologia é discutida neste artigo, no que tange a sua etiologia, assim como a  percepção dos indivíduos sobre esses sintomas e suas possíveis formas de tratamento. O objetivo do presente estudo foi elucidar através da revisão da literatura os mitos e realidades acerca da etiologia, tratamento e percepção da halitose.
Unitermos - Halitose; Etiologia e percepção.

Abstract
Halitosis is a symptom which affects a great part of the population, causing  isolation and embarrassment, besides a different behavior from those who surround this patient. Aware of this fact, its relevant  its discussion, concerning the etiology, perception and possible treatments.
The aim of this study was elucidate though literature review the myths and realities about halitosis’s etiology, treatment and perception, as well the perception of two differents population samples.
Key Words - Halitosis; Etiology and perception.

Introdução
O termo halitose, derivado do halitus do latim (respiração). É o odor anormal dos aspirados do ar que pode constituir um sinal ou um sintoma, dependendo se é perceptível pelo paciente ou pelos outros, mas nunca definido como uma doença.
Acreditou-se, inicialmente, em respiração ruim como resultado de sulfato de hidrogênio, encontrado em uma grande quantidade, no canal intestinal para o tecido dos dentes com lesões de cariosas e inflamações gengivais. Depressão, medo, tensão, também poderiam produzir uma respiração de odor anormal1.
Desde então, a respiração ruim é uma razão para discussão, em função do embaraço causado nas pessoas que sofrem com a halitose e aos que os cercam.
Este estudo vem elucidar mitos e realidades na etiologia, tratamento na percepção da halitose, baseado em uma revisão da literatura e avaliando o conhecimento das causas, atitudes e o comportamento em uma situação que envolve halitose, pela aplicação de um questionário em uma amostra previamente selecionada.

Revisão da Literatura
A halitose deveria ser considerada importante por causa de três razões básicas: limitações sociais, o medo para ter este sintoma e a presença desta condição como uma manifestação de qualquer doença sistêmica para um diagnóstico precoce2.
Ao se estudar a redução da halitose por procedimentos de higiene, relacionou-se o grau de intolerância do odor do mercaptan-metil para sulfato de hidrogênio. Em conclusão, o autor achou a língua como o maior depósito das duas substâncias mencionadas acima, analisadas na amostra. Ele também considerou não só a presença de mercaptan-metil como o fator mais importante na halitose, por causa de seu grau de intolerância, mas também a dificuldade da redução para níveis aceitáveis3.
A causa de halitose teve origem especialmente na boca, através de degradação bacteriológica, combinações voláteis, que têm sua origem em remoção bacteriana inapta, especialmente no enterre dos espaços dentais, na presença de gengivite e doença periodontal, e no dorso da língua. Os outros 10% incluem causas de doenças gerais como renal, hepática, carcinomas e origens da diabetes4.
A língua constitui uma grande quantidade de células, leucócitos mortos, restos alimentares e bactérias. O autor também menciona a convicção popular sobre a responsabilidade de o estômago induzir a halitose1.
A halitose, está relacionada a alguns tipos de comida e medicamentos. Álcool, café e fumo podem modificar temporariamente a respiração, mas não o bastante para provocar uma halitose definida. Porém, eles fixaram a existência de halitose prévia causada por seu odor peculiar e sua redução do fluxo de saliva5.
A associação de halitose com a doença periodontal revelou ser o condicionamento de retenção de anaeróbias, especialmente gram-negativos vai junto com o desenvolvimento de respiração ruim6.  Um estudo sobre etiologia, diagnose e tratamento de halitose, estados patológicos descritos como diabetes, uremias e desordens hepáticas que induzem produtos metabólicos que são detectados por odor oral7 .
Baseado em entrevistas, na Universidade de Toronto em 1992, autores1,5  concluíram que muitas pessoas freqüentemente sentiam-se envergonhadas e incomodadas com o próprio odor desagradável, sendo mais propícias ao isolamento. Muitos deles tentavam esconder isto com gomas, doces, escovavam compulsivamente devido a suas preocupações sobre as restrições que esta situação pode causar na atmosfera de trabalho e em relações pessoais, uma vez que 60% dos entrevistados, por não serem portadores de halitose, acreditavam ter mau odor proveniente da cavidade bucal.
A avaliação da contribuição da psicopatologia e características da imagem em pacientes com percepção de ego para halitose, indicou que percepção de ego de indivíduos e dos seus sentimentos pode estar relacionada a atitudes com o próprio corpo e hostilidades8. A halitose imaginativa é capaz de fazer restrições sociais aos pacientes. Nestes casos, o profissional poderia sugerir um tratamento psicólogico associado ao odontológico9. 
O cirurgião-dentista é o grande responsável para o tratamento, desde que a halitose mais comum é a bucal10. 
Foi descrito que11 70% da amostra com halitose fazia uso de gomas de mascar, o que acarretou em uma redução de compósito volátil, devido a alteração de ph salivar; entretanto, poucos buscaram tratamento específico e correto junto ao cirurgião-dentista. O presente estudo se propôs a investigar e elucidar mitos e realidades na etiologia, tratamento na percepção da halitose, baseado em uma revisão da literatura e avaliando o conhecimento das causas, atitudes e o comportamento em uma situação que envolve halitose, pela aplicação de um questionário em uma amostra previamente selecionada e se justifica, diante da necessidade do conhecimento das reais condições de saúde bucal das diferentes populações atendidas, a fim de se poder conscientizar para a importância dos cuidados com a saúde bucal, diferenciar e encaminhar aqueles pacientes que necessitam de tratamento odontológico especializado.

Metodologia
O estudo foi dividido em duas partes: o primeiro baseado na revisão da literatura com a etiologia, mitos, realidades, percepção e tratamento sobre respiração e, um segundo, mais prático, se comparará ao primeiro. Neste último, foi aplicado um questionário, 50 homens e 50 mulheres de uma agência de banco, selecionados de um modo aleatório, com idades entre 18 e 51 anos, e grau de instrução de médio a graduação. O questionário foi composto de 11 perguntas, sendo nove fechadas e duas abertas. Esse questionário só foi aplicado após sua aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e os voluntários receberem informações sobre hábitos de higiene e alimentação, assim como orientação a tratamentos odontológicos.

Resultados
Na Tabela 1, observa-se que a maioria da amostra, 92% acreditam que a halitose é uma fatalidade que acontece a todos os indivíduos, entretanto, 84% acham que é possível ser portador de halitose e desconhecer tal fato. Setenta e sete por cento da amostra já tentaram esconder o mau hálito fazendo uso de balas e/ou chicletes e, apesar de 97% acreditarem que existe tratamento, as Tabelas 3 e 4 evidenciam desconhecimento a cerca deste tratamento ou de qual profissional procurar.
Através destes dados, observou-se que a maioria dos entrevistados acredita que o mau hálito é conseqüência de um problema odontológico, tal como a cavidade cariosa e os problemas estomacais.
A Tabela 3 evidencia que a totalidade da amostra (100%) acredita que a introdução de hábitos de higiene pode ser um tratamento da halitose, seguido de alimentação satisfatória (54%)  e uso de antiácidos (12%).
Apesar da maioria da amostra procurar o cirurgião-dentista para o tratamento da halitose, a diferença entre os que procuram esses profissionais e aqueles que procuram outros profissionais é muito pequena. Cem por cento da amostra relatou preocupação em que a halitose interferisse nas suas relações sociais.

Discussão
A maioria dos autores concorda que a causa mais freqüente da halitose é local1,4,6-7, o que é corroborado pelo presente estudo, assim como o percentual entre 71% a 75%, que relacionam, respectivamente, fumo e alimentação como agentes temporários nas mudanças do hálito5,12
No presente trabalho observou-se, como um dos grandes mitos, a relação entre halitose e problemas estomacais, também descritos por outros autores13-14
Apesar da maioria do estudo, assim como os trabalhos da literatura, descreverem que o tratamento da halitose deve ser baseado em hábitos de higiene, a maioria dos indivíduos tenta mascarar a halitose ( 77%) com o  uso de gomas de mascar para mascarar o mau hálito, tal qual no estudo de outro pesquisador11. Tal fato se justifica pelos indivíduos se sentirem freqüentemente envergonhados e incomodados com o próprio odor desagradável12-13,15.
Em relação às restrições familiares e sociais causadas pela halitose, 100% da amostra relatou problemas de relacionamento1-2,9,15-16.

Conclusão
Considerando a halitose um problema local, a procura por tratamentos com profissionais que não o cirurgião-dentista evidencia o desconhecimento sobre a doença. A realidade sobre as causas, percepção e tratamento da halitose ainda são um mito.
A anamnese detalhada e exames clínicos odontológicos, objetivando o diagnóstico e o tratamento da halitose, é um hábito que deve ser estimulado a ser realizado pelo cirurgião-dentista rotineiramente, uma vez que, perceptível ou não, a halitose é uma causa de exclusão social, necessita ser diagnosticada e tratada pelo profissional, o mais breve possível, para evitar e exclusão social dos indivíduos.

Recebido em: set/2008
Aprovado em: out/2008

Endereço para correspondência:
Sonia Groisman
Rua Viúva Lacerda, 246/102  - Humaitá
22261-050 - Rio de Janeiro - RJ
sonia@dentistas.com.br

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