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PerioNews Jul/Ago. 2011


LEITURAS ESSENCIAIS

Sob coordenação do Prof. Dr. Antonio Wilson Sallum, editor científico da revista, a presente coluna selecionou alguns artigos científicos publicados em periódicos de circulação internacional, fez a leitura crítica e traz comentários dos mesmos. Mais uma forma de ampliar nossos conhecimentos. Confira.

Artigo 1: Lang NP, Tonetti MS. Periodontal risk assessment (PRA) for patients in supportive periodontal therapy (SPT). Oral Health Prev Dent 2003;1:7-16.

Por que é interessante: a avaliação de risco periodontal pode estimar o risco de susceptibilidade para progressão da periodontite. Isso consiste de uma avaliação do nível de infecção (índice de sangramento de boca completa), a prevalência de bolsas periodontais residuais, perda dentária, uma estimativa da perda de suporte periodontal em relação à idade do paciente, uma avaliação das condições sistêmicas do paciente e uma avaliação dos fatores ambientais e comportamentais do paciente, como o fumo. Todos estes fatores devem ser contemplados e avaliados juntos. Sendo assim, um diagrama funcional foi confeccionado para ajudar os clínicos na determinação dos riscos para progressão da doença periodontal em nível do paciente. Isso pode ser útil na programação da frequência e a forma de abordagem das visitas da terapia periodontal de suporte.

Desenho experimental: os autores sugerem nesse artigo, um diagrama funcional para avaliação do risco do paciente para recorrência da doença periodontal que inclui os seguintes parâmetros: porcentagem de sangramento a sondagem; prevalência de bolsas residuais maiores que 4 mm; perda dentária de um total de 28 dentes; perda de suporte periodontal em relação à idade do paciente; condições sistêmicas e genéticas e fatores ambientais, tais como o fumo. Cada parâmetro apresenta sua própria escala para perfi s de risco baixo, moderado e alto. Em uma avaliação abrangente, o diagrama funcional produzirá um perfi l de risco total individualizado e determinará a frequência e a complexidade das visitas para a terapia periodontal de suporte.

Os achados: de acordo com a avaliação dos parâmetros supracitados, os autores fazem as seguintes considerações:

a. Sangramento a sondagem: indivíduos com baixas médias de porcentagem de sangramento a sondagem (< 10% das superfícies) podem ser considerados pacientes de baixo risco para a recorrência de doença periodontal, enquanto pacientes com média de porcentagem de sangramento a sondagem > 25% devem ser considerados de alto risco.

b. Prevalência de bolsas residuais maiores do que 4 mm: indivíduos com até quatro bolsas residuais podem ser considerados pacientes com risco relativamente baixo, enquanto os pacientes com mais de oito bolsas residuais podem ser considerados como alto risco para recorrência da doença.

c. Perda dentária de um total de 28 dentes: pacientes com até quatro dentes perdidos podem ser considerados de baixo risco, enquanto pacientes com mais de oito dentes perdidos podem ser considerados de alto risco.

d. Perda de suporte periodontal em relação à idade do paciente: para esse indicador, a escala se apresenta em incrementos de 0,25 do fator perda óssea/idade, com 0,5 sendo a divisão entre o risco baixo e moderado e 1,0 a divisão entre o risco moderado e alto para a progressão da doença.

e. Condições sistêmicas: os fatores sistêmicos só serão considerados se conhecidos. Caso não sejam conhecidos ou não estejam presentes, os fatores sistêmicos não serão considerados para a avaliação geral do risco.

f. Fatores ambientais: fatores como o fumo, por exemplo, devem ser considerados para a recorrência da doença no diagrama funcional. Enquanto não fumantes e ex-fumantes (que interromperam há mais de cinco anos) apresentam baixo risco para a recorrência da periodontite, os fumantes assíduos, defi nidos como aqueles que fumam mais de um maço por dia, são considerados de alto risco. Fumantes ocasionais (< 10 cigarros/dia) e moderados podem ser considerados de risco moderado para a progressão da doença.

Comentários: a avaliação de risco do paciente à periodontite pode ser avaliada com base em um número de condições clínicas pelas quais nenhum parâmetro único representa um papel mais importante. O espectro total dos fatores de risco deve ser avaliado simultaneamente. Ao contrário da população em geral sem histórico de doença, os pacientes periodontais necessitam participar de um sistema bem organizado de rechamadas, o qual deve fornecer tanto uma avaliação de risco contínua quanto cuidados de suporte adequados. Sem isso, os pacientes são prováveis de experimentar perda progressiva de inserção periodontal. A avaliação dos níveis de risco para a progressão da doença em cada paciente permitirá ao profissional determinar a frequência e a extensão do suporte profissional necessário para manter os níveis de inserção obtidos após terapia ativa.

Unitermos: Periodontitis; Maintenance; Recurrent periodontitis; Risk assessment; Risk avaluation; Periodontal infection; Reinfection; Bleeding on probing; Residual pockets; Bone loss; Smoking.

Revisado por: Viviene Santana Barbosa. Mestranda em Periodontia – FOP-Unicamp.


Artigo 2: Matuliene G, Studer R, Lang NP, Schmidlin K, Pjetursson BE, Salvi GE et al. Signifi cance of periodontal risk assessment in the recurrence of periodontitis and tooth loss. J Clin Periodontol 2010;37:191-9.

Por que é interessante: o objetivo desse estudo foi investigar a associação das categorias do modelo de avaliação de risco periodontal com a recorrência de periodontite e perda dentária durante a terapia periodontal de suporte e explorar o papel da adesão do paciente ao programa.

Desenho experimental: nesse estudo coorte retrospectivo, a avaliação do risco periodontal foi realizada em 160 pacientes após terapia periodontal ativa e após 9,5 ± 4,5 anos de terapia periodontal de suporte. A recorrência de periodontite e perda dentária foram analisadas de acordo com o perfi l de risco do paciente (baixo, moderado ou alto) após terapia periodontal ativa e adesão ao programa de terapia periodontal de suporte. A associação dos fatores de risco com a perda dentária e recorrência da doença foram investigadas usando análise de regressão logística.

Os achados: em 18,2% dos pacientes com um perfi l de baixo risco, em 42,2 dos pacientes de risco moderado e em 49,2% dos pacientes com perfi l de alto risco após terapia periodontal ativa, recorreu a periodontite. Durante a terapia periodontal de suporte, 1,61 ± 2,8 dentes/paciente foram perdidos. Pacientes com perfi l de alto risco perderam signifi cativamente mais dentes (2,59 ± 3,9) do que pacientes com perfi l moderado (1,02 ± 1,8) ou perfi l de baixo risco (1,18 ± 1,9) (teste Kruskal- Wallis, p = 0,0229). Os pacientes que não aderiram regularmente ao programa de terapia periodontal de suporte perderam signifi cativamente (teste Kruskal-Wallis, p = 0,0067) mais dentes (3,11 ± 4,5) do que pacientes que aderiram ao programa de manutenção (1,07 ± 1,6).

Comentários: a identifi cação de indivíduos que são de alto risco para progressão da doença após terapia periodontal ativa representa um real desafi o para o clínico. A determinação das necessidades individuais de pacientes com periodontite e a rea lização de uma terapia periodontal de suporte em intervalos regulares, são de fundamental importância para evitar a recorrência da doença e possibilidade de perda dentária. Além disso, os pacientes que aderem completamente ao programa de terapia periodontal de suporte têm menor risco para recorrência de periodontite e perda dentária do que os pacientes que não aderem completamente ao programa. Assim, a susceptibilidade para recorrência da doença para pacientes com um perfi l de alto risco pode – pelo menos parcialmente – ser reduzido pela aderência rigorosa ao programa de terapia periodontal de suporte sugerido adaptado às necessidades do paciente de acordo com a avaliação de risco periodontal.

Unitermos: Compliance; Maintenance care; Periodontitis; Progression; Recurrence; Risk factors; SPT; Supportive periodontal therapy; Tooth loss.

Revisado por: Viviene Santana Barbosa. Mestranda em Periodontia – FOP-Unicamp.


Artigo 3: Teles RP, Patel M, Socransky SS, Haffajee AD. Disea se progression in periodontally healthy and maintenance subjects. J Periodontol 2008;79:784-94.

Por que é interessante: um dos principais objetivos da terapia periodontal antibacteriana é alterar os parâmetros clínicos e microbiológicos para um mais compatível com a saúde periodontal. Se isso for alcançado, é provável que a taxa de perda de inserção em indivíduos com periodontite que recebem manutenção periodontal deve ser similar àquelas detectadas em indivíduos periodontalmente saudáveis. O objetivo desse estudo foi testar a hipótese de que a taxa de perda de inserção periodontal em indivíduos periodontalmente saudáveis e em um programa de prevenção é menor em comparação com indivíduos periodontalmente tratados e em manutenção periodontal. Além disso, avaliar as mudanças microbianas ao longo do tempo (três anos) para determinar se a taxa de progressão da doença nos dois grupos está relacionada a perfi s microbianos subgengivais.

Desenho experimental: 55 indivíduos periodontalmente saudáveis e 57 com periodontite foram monitorados clínica e microbiologicamente no Baseline, com um, dois e três anos. Os indivíduos periodontalmente saudáveis foram inscritos em um estudo clínico randomizado de três anos, para avaliar os efeitos de diferentes protocolos de prevenção, enquanto que os indivíduos com periodontite foram inscritos em um estudo clínico randomizado de três anos, que analisou os efeitos de diferentes programas de manutenção. Os parâmetros clínicos avaliados foram: sangramento a sondagem, placa visível, profundidade de sondagem e nível de inserção clínica. Todos os parâmetros foram avaliados em seis sítios. As amostras de placa subgengival foram tomadas da face mesiovestibular de todos os dentes e foram analisadas para avaliar os níveis de 40 espécies bacterianas usando a técnica de hibridização DNA-DNA checkerboard. A signifi cância das diferenças ao longo do tempo nos parâmetros clínicos foi determinada usando análise de variância de medidas repetidas, enquanto a signifi cância das diferenças entre os grupos foi determinada usando o teste t não pareado. O teste Mann-Whitney foi usado para análises microbianas, e valores p foram ajustados para comparações múltiplas.

Os achados: a média dos parâmetros clínicos avaliados melhorou em ambos os grupos ao longo do tempo. Ao fi nal do estudo, 4% dos sítios nos indivíduos em manutenção perderam  2 mm de inserção, enquanto nos indivíduos saudáveis inscritos no programa de prevenção (profi laxia), apenas 1% dos sítios perdeu  2 mm de inserção. Os indivíduos em manutenção perderam inserção principalmente nos sítios vestibular e lingual rasos. Esses indivíduos apresentaram níveis signifi cativamente mais elevados da maioria das espécies testadas em todo o estudo. O programa de manutenção não reduziu os níveis de espécies bacterianas, principalmente espécies do complexo vermelho, para níveis típicos de indivíduos saudáveis.

Comentários: embora a terapia periodontal de suporte baseada na remoção de placa supragengival pelo paciente, bem como pela profi laxia e raspagem e alisamento radicular das bolsas residuais pelo profi ssional possa diminuir a progressão da doença periodontal, não se pode parar o processo da doença. Os resultados desse presente estudo apoiam a noção de que indivíduos com periodontite crônica tratados, submetidos a um programa de manutenção, têm maior taxa de deterioração periodontal do que indivíduos periodontalmente saudáveis em um programa de prevenção e essa maior propensão para a progressão da doença pode estar relacionada a uma elevada exposição aos patógenos periodontais, em especial as espécies do complexo vermelho. Isso pode ocorrer porque em indivíduos periodontalmente tratados, a proporção média microbiana não retorna aos níveis presentes em indivíduos periodontalmente saudáveis. Por isso, a manutenção não reduz os níveis de todas as espécies patogênicas subgengivais para aqueles geralmente encontrados em saúde periodontal, aumentando assim, a propensão para perda de inserção nesses grupos.

Unitermos: Bacteria; Biofilm; Gingivitis; Health; Maintenance; Periodontitis.

Revisado por: Viviene Santana Barbosa. Mestranda em Periodontia – FOP-Unicamp.


Artigo 4: Matuliene G, Pjetursson BE, Salvi GE, Schmidlin K, Brägger U, Zwahlen M et al. Influence of residual pockets on progression of periodontitis and tooth loss: Results after 11 years of maintenance. J Clin Periodontol 2008; 35:685-95.

Por que é interessante: o objetivo da terapia periodontal é impedir a perda de inserção progressiva e, portanto, evitar maior progressão da doença e eventualmente a perda dentária. Entretanto, mesmo em grupos de pacientes que são extremamente bem controlados e nos quais a estabilidade periodontal é mantida por longos períodos de tempo, a recorrência da doença periodontal não é completamente impedida. Sendo assim, devido a ausência de dados longitudinais para determinação dos fatores de risco para progressão da periodontite em pacientes susceptíveis, o objetivo desse estudo longitudinal retrospectivo foi investigar a influência de bolsas residuais ≥ 5 mm e sangramento a sondagem na progressão da periodontite e na perda dentária, após terapia periodontal ativa.

Desenho experimental: nesse estudo retrospectivo coorte, 172 pacientes, com idade entre 14 e 69 anos (média de 45 ± 11 anos), no Baseline, foram examinados depois da terapia periodontal ativa e terapia periodontal de suporte por 3-27 anos (média de 11,3 anos). Para os pacientes serem incluídos no estudo, no mínimo dois conjuntos adicionais de exames radiográficos e periodontal tinham de estar disponíveis no Baseline (antes da terapia) e no final da terapia periodontal ativa. As análises foram conduzidas usando informações em nível de sítio, dente e paciente. A associação dos fatores de risco com perda dentária e progressão da periodontite foi investigada usando análises de regressão logística multinível.

Os achados: o número de profundidade de sondagem residual aumentou durante a terapia periodontal de suporte. Comparadas com as profundidades de sondagem ≤ 3 mm, as profundidades de sondagem iguais a 5 mm representaram um fator de risco para a perda dentária com razão de probabilidade de 5,8 e 7,7, respectivamente, em nível de sítio e dente. A razão de probabilidade para profundidade de sondagem igual a 6 mm foi de 9,3 e 11,0 e para profundidade de sondagem ≥ 7 mm, 37,9 e 64,2, respectivamente. Na avaliação de risco do paciente, a duração da terapia periodontal de suporte e profundidades de sondagem ≥ 6 mm foram fatores de risco para progressão da doença, enquanto que profundidades de sondagem ≥ 6 mm e sangramento a sondagem ≥ 30% representaram um risco para perda dentária.

Comentários: a presença de altas frequências de bolsas residuais ≥ 6 mm durante a terapia periodontal de suporte tem, de fato, sido associada ao alto risco de progressão da doença e perda dentária. Embora a contagem de bolsas residuais com profundidade de sondagem ≥ 6 mm, sozinha, não tenha muito sentido quando considerado como parâmetro único, a avaliação em conjunto com outros parâmetros como sangramento a sondagem e/ou supuração refletirá a existência de nichos ecológicos de onde e nos quais as reinfecções poderão ocorrer. Portanto, seria concebível que a estabilidade periodontal em uma dentição poderia ser refletida por um número mínimo de bolsas residuais.

Unitermos: Bleeding on probing; Clinical attachment level; Maintenance care; Periodontitis; Progression; Residual probing depth; Risk factors; Supportive periodontal therapy; Tooth loss.

Revisado por: Viviene Santana Barbosa. Mestranda em Periodontia – FOP-Unicamp.


Artigo 5: Lorentz TCM, Cota LOM, Cortelli JR, Vargas AMD, Costa FO. Prospective study of complier individuals under periodontal maintenance therapy: analysis of clinical periodontal parameters, risk predictors and the progression of periodontitis. J Clin Periodontol 2009;36:58-67.

Por que é interessante: esse estudo prospectivo teve como objetivo monitorar um subconjunto de indivíduos brasileiros incluídos em um programa de terapia de manutenção periodontal regular e avaliar a influência desse programa no padrão periodontal, bem como analisar o impacto dos variáveis preditores de risco nesse padrão ao longo de um período de um ano.

Desenho experimental: o presente trabalho foi um estudo coorte aberto, prospectivo, com um total de 150 indivíduos apresentando periodontite crônica moderada a avançada com, no mínimo, quatro sítios com profundidade de sondagem ≥ 4 mm e perda de inserção clínica ≥ 3 mm com sangramento a sondagem e/ou supuração e evidência radiográfica de perda óssea. Os pacientes deveriam ter finalizado o tratamento periodontal ativo em um período de menos de quatro meses para ser incorporado no programa de manutenção e ter pelo menos 14 dentes em boca. Os seguintes parâmetros periodontais foram avaliados: profundidade de sondagem, nível de inserção clínica, sangramento a sondagem, supuração, envolvimento de furca, índice de placa e exames radiográficos. Além disso, variáveis sociais, demográficas e biológicas de interesse dos indivíduos foram coletadas nas rechamadas trimestrais, ao longo do período de um ano. O efeito das variáveis de interesse no padrão periodontal e progressão da periodontite foi testado pelas análises logísticas uni e multivariadas.

Os achados: um total de 130 indivíduos (86,7%) mostrou padrão periodontal estável, enquanto 20 indivíduos (913,3%) apresentaram progressão da periodontite; 28 indivíduos (18,66%) apresentaram perda dentária que resultou em um total de 47 dentes perdidos (1,38%). Diabetes não foi associado com progressão da periodontite (p = 0,67). O fumo foi significativamente associado com maior progressão da periodontite (Odds Ratio = 2,7, 95% intervalo de confiança 1,01-7,22).

Comentários: programas de manutenção periodontal podem estabilizar a condição periodontal obtida após terapia periodontal ativa, bem como controlar a ação das variáveis de risco para a progressão da periodontite, o que pode refletir em uma melhor qualidade de vida aos indivíduos susceptíveis. Por isso, a importância da conscientização do paciente à aderência ao programa de manutenção periodontal sugerido.

Unitermos: Compliance; Periodontal maintenance; Progression of periodontitis; Risk factors.

Revisado por: Viviene Santana Barbosa. Mestranda em Periodontia – FOP-Unicamp.

 

 

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