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PerioNews Mai./Jun. 2010


SUGESTÃO DE LEITURA

Sob coordenação do Prof. Dr. Antonio Wilson Sallum, editor científico da revista, a presente coluna selecionou alguns artigos científicos publicados em periódicos de circulação internacional, fez a leitura crítica e, assim, traz comentários dos mesmos. Mais uma forma de ampliar nossos conhecimentos: Confira.

Artigo 1: Renvert S, Samuelsson E, Lindahl C, Persson GR. Mechanical non-surgical treatment of peri-implantitis: a double-blind randomized longitudinal clinical study. I: clinical results. J Clin Periodontol 2009;36:604-9.

Por que é interessante: doenças peri-implantares são achados frequentes em pacientes reabilitados com implantes orais. Este artigo tem como objetivo comparar a eficácia de duas terapias mecânicas no tratamento não cirúrgico de periimplantite leve, representada por reabsorção óssea < 2,5 mm e profundidade de sondagem (PPD) ≥ 4 mm.

Desenho experimental: trinta e sete pacientes apresentando um sítio com peri-implantite/cada foram aleatoriamente divididos em dois grupos de acordo com o tipo de tratamento. Grupo 1: instrumentação manual com curetas (N = 19). Grupo 2: instrumentação ultrassônica (N = 18). Os grupos foram avaliados no baseline, com um, dois, três e seis meses pós-terapia. Durante o período de acompanhamento, foram perdidos dois pacientes do Grupo 1 e quatro pacientes do Grupo 2.

Os achados: nem uma das terapias mecânicas não cirúrgicas se mostrou superior à outra. As terapias foram incapazes de reduzir PPD peri-implantar, apesar da melhoria verificada nos índices de sangramento e de placa ao longo da investigação. Não foram verificadas reduções significativas na contagem bacteriana durante o estudo.

Comentários: apesar do número reduzido da amostra e da desistência de seis pacientes durante o período de avaliação, este estudo clínico prospectivo, duplo-cego, mostra-nos que a terapia mecânica com instrumentos manuais ou ultrassônicos é insuficiente e não melhora o prognóstico clínico e microbiológico dos sítios com peri-implantite. A utilização adjunta à terapia mecânica de antimicrobianos locais e/ou de antibióticos sistêmicos ou a eleição de uma terapia cirúrgica para melhor acesso à complexa anatomia dos implantes poderia auxiliar na manutenção destes sítios. Porém, o tratamento da peri-implantite ainda é um paradigma clínico que precisa ser elucidado e estudos sobre abordagens clínicas devem ser realizados para prover o decision-making ao profissional.

Unitermos: Mechanical; Non-surgical-therapy; Peri-implantitis; Ultrasonic.

Revisado por: Mirella Lindoso Gomes Campos. Doutoranda em Periodontia – FOP-Unicamp.

Artigo 2: Santamaria MP, Ambrosano GMB, Casati MZ, Nociti Jr FH, Sallum AW, Sallum EA. Connective tissue graft plus resin-modified glass ionomer restoration for the treatment of gingival associated with non-carious cervical lesion: a randomized-controlled clinical trial. J Clin Periodontol 2009;36:791-8.

Por que é interessante: as lesões cervicais não cariosas são condições clínicas limítrofes entre Periodontia e Dentística. Os autores avaliam prospectivamente a biocompatibilidade da associação de restaurações de ionômero de vidro em técnicas de recobrimento radicular, usando enxerto de tecido conjuntivo para o recobrimento de lesões cervicais não cariosas associadas a recessões gengivais Classe I de Miller em caninos e pré-molares superiores.

Desenho experimental: quarenta pacientes foram aleatoriamente divididos em dois grupos de 20 indivíduos, cada um contribuindo com uma recessão Classe I: enxerto de tecido conjuntivo (CTG); enxerto de tecido conjuntivo + restauração de ionômero de vidro (CTG+R). Em ambos os grupos, a inserção do CTG foi associada a um retalho pedicular posicionado coronariamente. Os parâmetros clínicos foram avaliados no baseline, com 45 dias, dois, três e seis meses.

Os achados: ambos os grupos tiveram ganhos significativos quanto o nível de inserção clínica (CAL) e recobrimento por tecido mole. Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos quanto ao sangramento a sondagem, CAL, profundidade de sondagem, recessão gengival relativa, espessura e altura de tecido queratinizado, altura da lesão cervical e recobrimento radicular.

Comentários: os autores verificaram que há previsibilidade de recobrimento de recessões gengivais em zona estética associadas a lesões cervicais não cariosas, mostrando a viabilidade biológica da associação de restaurações de ionômero de vidro a técnicas de enxerto conjuntivo.

Unitermos: Cemento-enamel junction; Gingival recesssion/ surgery; Glass ionomer cement; Surgical flap; Tooth abrasion.

Revisado por: Mirella Lindoso Gomes Campos. Doutoranda em Periodontia - FOP-Unicamp.

Artigo 3: Nickles K, Ratka-Krüger P, Neukranz E, Raetzke P, Eickholz P. Open flap debridement and guided tissue regeneration after 10 years in infrabony defects. J Clin Periodontol 2009;36:976-83.

Por que é interessante: é um estudo longitudinal, prospectivo que avalia a estabilidade clínica da terapia regenerativa em defeitos infraósseos de duas e três paredes em dez anos.

Desenho experimental: dezesseis pacientes contribuíram com 44 defeitos infraósseos de duas ou três paredes. Duas análises foram empregadas: análise de boca dividida em dez pacientes (11 pares de defeito), no qual 11 defeitos foram tratados com acesso cirúrgico para realização de raspagem e alisamento radicular (OFD), e 11 defeitos receberam técnica de regeneração tecidual guiada por meio de membrana reabsorvível de acetiltributil citratato (GTR); análise de grupo paralelo em 24 pacientes (35 defeitos), sendo que 12 pacientes tiveram 17 defeitos tratados com OFD e 12 pacientes tiveram 18 defeitos tratados com GTR. Foram avaliados índices de placa e de sangramento sulcular, profundidade de sondagem, nível de inserção clínica vertical e, retrospectivamente, polimorfismo de interleucina 1β. Os pacientes foram avaliados no baseline, com 12 meses e 120 ± 12 meses.

Os achados: ambas as terapias mostraram ganhos em inserção clínica em 12 meses, porém, sem diferenças estatísticas entre si. Os resultados mantiveram-se estáveis para OFD e GTR em 120 ± 12 meses e não mostraram superioridade de uma técnica em detrimento da outra no que tange estabilidade dos resultados clínicos avaliados neste estudo.

Comentários: este estudo corrobora a hipótese de previsibilidade de tratamento de defeitos infraósseos de duas e três paredes, mostrando longitudinalmente que terapias de OFD e RTG obtém resultados clínicos estáveis e semelhantes em dez anos.

Unitermos: Guided tissue regeneration; Inter-proximal infrabony defects; Long term results; Open flap debridement; Periodontitis; Radomized controlled clinical trial.

Revisado por: Mirella Lindoso Gomes Campos. Doutoranda em Periodontia – FOP-Unicamp.

Artigo 4: Schwarz F, Sahm N, Bieling K, Becker J. Surgical regenerative treatment of peri-implantitis lesions using a nanocrystaline hydroxyapatite or a natural bone mineral in combination with a collagen membrane: a four-year clinical follow up report. J Clin Periodontol 2009;36:807-14.

Por que é interessante: o artigo investiga prospectivamente a eficácia do uso de hidroxiapatita nanocristalina (NHA) e de osso mineral natural + membrana de colágeno (NBM+CM) como terapias regenerativas de lesões peri-implantares.

Desenho experimental: inicialmente, 22 pacientes, contribuindo com um defeito infraósseo peri-implantar/cada, foram inclusos na investigação. Após 12 meses, dois dos pacientes do grupo NHA foram excluídos por não preencherem mais os critérios de inclusão deste estudo, pois, apresentavam intensa exsudação purulenta. Vinte pacientes foram tratados e avaliados clinicamente: índices de placa (PI) e de sangramento a sondagem (BOP), recessão gengival (GR), profundidade de sondagem (PD), nível de inserção clínica (CAL) e radiograficamente durante o baseline, com 36 e 48 meses. Houve perda de um paciente do grupo NBM + CM aos 36 meses por apresentar severa formação de pus. Aos 48 meses tinha-se nove pacientes no grupo NHA e dez em NBM+CM.

Os achados: aos 36 meses foram verificadas melhorias clínicas em todos os parâmetros avaliados em ambos os grupos, observando-se uma tendência de haver melhor resposta nos indivíduos do grupo NBM+CM. Aos 48 meses, o grupo NBM+CM manteve-se com maior redução na PD e maior ganho de CAL. Foi possível verificar aos 48 meses uma redução na translucidez radiográfica peri-implantar em cinco indivíduos no NHA e em oito NBM+CM quando comparados com os dados do baseline.

Comentários: o artigo é um relato de uma série de casos e não foi aplicada estatística aos resultados encontrados. Apesar da baixa evidência científica, o estudo mostra a dificuldade de tratar os defeitos peri-implantares e as limitações terapêuticas atuais, sugerindo que o uso de membranas associadas a substitutos ósseos poderiam trazer benefícios adicionais ao tratamento de defeitos infra-ósseos peri-implanteares.

Unitermos: Bone graft; Collagen membrane; Nanocrystalline hydroxyapatite; Peri-implantitis; Surgical regenerative therapy.

Revisado por: Mirella Lindoso Gomes Campos. Doutoranda em Periodontia – FOP-Unicamp.

 

Artigo 5: Nygaard-Ostby P, Bakke V, Nesdal O, Susin C, Wikesjö UME. Periodontal healing following reconstructive surgery: effect of guided tissue regeneration using a bioresorbable barrier device when combined with autogenous bone grafting. A randomized-controlled trial 10 years follow-up. J Clin Periodontol 2010;37:366-73.

Por que é interessante: é um estudo clínico, duplo-cego, controlado, paralelo, com dez anos de acompanhamento que avalia a eficácia do tratamento de defeitos infraósseos com osso autógeno como monoterapia ou sua associação com uma membrana reabsorvível de ácido polilático (GTR).

Desenho experimental: inicialmente, 40 pacientes foram aleatoriamente divididos em um dos dois grupos: enxerto autógeno (N = 20); enxerto autógeno + GTR (N = 20). Os parâmetros clínicos avaliados foram padrão de higiene oral, saúde gengival, profundidade de sondagem, profundidade do defeito ósseo, nível de inserção clínica, sangramento a sondagem, recessão gengival e mobilidade dental. Os pacientes foram avaliados no baseline, com nove meses e dez anos. No 10o ano, 14 pacientes foram perdidos, sete de cada grupo, havendo perda de 35% da amostra inicial.

Os achados: no 10o ano, os autores verificaram reduções significativas na profundidade de sondagem (não foram observadas profundidade de sondagem residuais ≥ 6 mm) e no ganho ósseo (mais sítios com ganhos ≥ 4 mm) e uma diferença borderline no ganho de inserção clínica no grupo enxerto autógeno + GTR, quando comparado ao grupo que recebeu somente enxerto autógeno. Quanto a recessão gengival, não foram verificadas diferenças significativas intergrupos.

Comentários: os resultados deste estudo mostram que o uso de membranas reabsorvíveis melhora os resultados clínicos em dez anos. Os defeitos infraósseos periodontais de duas e três paredes têm, porém, um bom prognóstico independente da terapia usada. Como os próprios autores sugerem, os resultados devem ser avaliados com cautela, pois, houve uma melhora clínica em ambos os grupos. Além disto, os ganhos de níveis de inserção clínica, gold standard na avaliação de resultados clínicos tiveram diferenças tênues (p = 0,067) entre os grupos. Portanto, cabe ao profissional avaliar o desafio que cada defeito apresenta, pois, o uso de membranas, apesar de dar um resultado clínico melhor, é limitado e agrega custos ao paciente.

Unitermos: Autogenous bone graft; Barrier membrane; Guided tissue regeneration; Long term; Periodontal regeneration; Polylactic acid; Randomized-controlled trial.

Revisado por: Mirella Lindoso Gomes Campos. Doutoranda em Periodontia – FOP-Unicamp.



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