SUGESTÃO DE LEITURA
Sob coordenação do Prof. Dr. Antônio Wilson Sallum, editor científico da revista, a presente coluna “Pesquisas em Evidências” selecionou alguns artigos científicos publicados em periódicos de circulação internacional, fez a leitura crítica e traz comentários dos mesmos. Mais uma forma de ampliar nossos conhecimentos: CONFIRA.
Artigo 1: Jawed F, Romanos GE. Impact of Diabetes Mellitus and Glycemic Control on the Osseointegration of Dental Implants: A Systematic Literature Review. J Periodontol 2009;80:1719-30.
Porque é interessante: este artigo avalia os efeitos deletérios no periodonto do portador de diabetes com pobre controle glicêmico, destaca os benefícios da manutenção dos níveis glicêmicos sobre o osso alveolar e a osseointegração dos implantes dentais.
Desenho experimental: dez estudos clínicos e oito estudos experimentais em ratos, macacos e cultura de células, que tentaram responder a seguinte pergunta condutora: Podem indivíduos diabéticos serem bons candidatos à reabilitação com implantes dentais?
Os achados: sete estudos mostraram que a diabetes afeta negativamente a osseointegração dos implantes dentais. Onze estudos relacionaram o sucesso da osseointegração a um ótimo controle das taxas glicêmicas
Comentários: em geral, os indivíduos com diabetes bem controlada têm taxas de sucesso para implantes dentais semelhantes aos indivíduos sem diabetes. O uso de antissépticos e de uma terapia de manutenção com ênfase na qualidade de higiene oral ajuda no sucesso dos implantes dentais em indivíduos diabéticos. Apesar dos implantes dentais permanecerem contraindicados em pessoas sem um controle glicêmico adequado, alguns trabalhos avaliados não encontraram diferenças nas taxas de sucesso dos implantes dentais, o que abre uma possibilidade para outros fatores influenciarem na osseointegração que ainda não conhecemos.
Revisado por: Saulo Cabral dos Santos. Doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Professor adjunto – UFPE.
Artigo 2: Tesmer M, Wallet S, Koutouzis T, Lundgren T. Bacterial Colonization of the Dental Implant Fixture-Abutment Interface: An In Vitro Study. J Periodontol 2009;80:1991-97.
Porque é interessante: os autores criaram um modelo in vitropara avaliar os riscos potenciais de invasão de microorganismos dentro do microespaço da interface implante-abutment (FAI) em implantes dentais com diferentes desenhos de conexões.
Desenho experimental: três grupos de implantes baseados na geometria do microespaço da (FAI) foram comparados. Dez implantes foram testados em cada grupo experimental. No grupo 1 foram implantes com uma conexão interna de cone-morse. No grupo 2 foram implantes similares ao grupo anterior com o acréscimo de uma ranhura no lado do abutment. E no grupo 3 implantes com três canaletas internas. Foram submersos num meio de cultura bacteriana para posterior avaliação.
Os achados: houve uma diferença estatisticamente significante para o número de implantes que tiveram seus microespaços (FAI) colonizados por A. actninomycetemcomitans e P. gingivalis entre os grupos 1 e 2 e 1 e 3.
Comentários: este trabalho deixa claro que os implantes dentais com conexões internas tipo cone-morse têm pequena penetração bacteriana in vitro, e que pequenos microespaços são suficientes para criar um meio propício para o alojamento e permanência de microorganismos periodontopatogênicos. A geometria, a posição e o tamanho do microespaço das interfaces do implante com o abutment podem ser um risco a potenciais colonizações bacterianas e um importante fator dos níveis ósseos marginais. Contudo, micromovimentos nesta interface e o momento de colocação do abutment, se imediato ou tardio, são fatores que merecem atenção, consideração e estudo como possíveis influenciadores da colonização microbiana peri-implantar.
Revisado por: Saulo Cabral dos Santos. Doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Professor adjunto – UFPE.
Artigo 3: Reyes E, Hildebolt C, Langenwalter E, Miley D. Abfractions and attachment loss in teeth with premature contacts in centric relation: Clinical observations. J Periodontol 2009;80:1955-62.
Porque é interessante: o artigo discute a influência de forças oclusais traumáticas sobre o desenvolvimento de lesões de abfração.
Desenho experimental: quarenta e seis pacientes que apresentavam contatos prematuros foram selecionados. No grupo teste foram alocados dentes com contatos prematuros em oclusão cêntrica, enquanto que os dentes contralaterais aos selecionados para o grupo teste foram determinados para o grupo controle. Foram registrados ainda a perda de inserção clínica e a presença ou não de abfração para cada um dos grupos experimentais.
Os achados: os dentes com lesões de abfração tinham mais perda de inserção clínica que os dentes sem lesões de abfração. A presença de contatos prematuros não pareceu ter influência na ocorrência de lesões de abfração ou em maior perda de inserção. Além disso, pacientes que exibiram lesões de abfração tiveram perda de inserção similar àqueles sem lesões de abfração.
Comentários: em que pese o fato de não ter sido encontrada neste estudo uma associação entre contatos prematuros e presença de lesões de abfração, deve-se considerar a natureza transversal do estudo como uma limitação, visto que este desenho experimental não permite uma análise precisa da atividade e progressão da doença, de um modo geral. No entanto, os achados deste trabalho parecem corroborar outras evidências disponíveis na literatura sobre o tema.
Revisado por: Renato de Vasconcelos Alves. Doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Professor Adjunto - Disciplina de Periodontia – FOP-UPE.
Artigo 4: Markou N, Pepelasse E, Vavouraki H, Stamatakis HC, Nikolopoulos G, Vrotsos I et al. Treatment of periodontal endosseous defects with platelet-rich plasma alone or in combination with demineralized freeze-dried bone allograft: A comparative clinical trial. J Periodontol 2009;80:1911-19.
Porque é interessante: o artigo investiga se a adição do aloenxerto ósseo, desmineralizado, congelado e seco (DFDBA) ao plasma rico em plaquetas (PRP) resulta em maior efetividade do PRP em defeitos ósseos periodontais.
Desenho experimental: foram selecionados 24 pacientes portadores de periodontite crônica severa. Cada um dos pacientes foi aleatoriamente designado para receber PRP isoladamente ou PRP + DFDBA nos 24 defeitos ósseos proximais. Os procedimentos foram avaliados clinicamente e por meio de subtração radiográfica com seis meses de pós-operatório.
Os achados: ambos os procedimentos foram efetivos em promover ganho clínico de inserção. Não houve diferença entre o preenchimento do defeito detectado radiograficamente entre os dois grupos experimentais.
Comentários: os próprios autores discutem o curto tempo de avaliação (seis meses) como uma possível justificativa para não terem sido detectadas diferenças estatisticamente significantes entre os grupos. Mesmo assim, as modalidades de tratamento mostraram-se efetivas em produzir ganho de inserção clínica e preenchimento radiográfico dos defeitos, apesar de não parecer haver vantagens na adição de DFDBA ao PRP.
Revisado por: Renato de Vasconcelos Alves. Doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Professor adjunto - Disciplina de Periodontia – FOP-UPE.
Artigo 5: Stein JM, Fickl S, Yekta SS, Hoischen U, Ocklenburg C, Smeets R. Clinical evaluation of a biphasic calcium composite grafting material in the treatment of human periodontal intrabony defects: A 12-month randomized clinical trial. J Periodontol 2009;80:1774-82.
Porque é interessante: o artigo avalia os resultados clínicos de um novo produto (composto de cálcio bifásico) (BCC) em comparação aos obtidos com uma esponja de osso autógeno (ABS) ou com o retalho para descontaminação isoladamente (OFD).
Desenho experimental: quarenta e cinco pacientes com pelo menos um defeito intra-ósseo foram selecionados. Estes pacientes foram designados aleatoriamente para um dos seguintes grupos: tratamento com o BCC, tratamento com ABS ou tratamento com OFD. Os parâmetros de índice de placa, índice gengival, profundidade de sondagem, nível de inserção clínica e retração gengival foram registrados no início do experimento e após 12 meses.
Os achados: houve redução de profundidade de sondagem e ganho de inserção em todos os grupos. Os defeitos tratados com BCC e ABS apresentaram maiores taxas de ganho de inserção e redução de profundidade de sondagem em comparação ao grupo tratado com OFD. No entanto, não houve diferença entre os defeitos tratados com BCC e ABS para os parâmetros clínicos.
Comentários: o BCC parece ser um material viável para ser usado como enxerto ósseo em defeitos periodontais, especialmente se comparado com o OFD isoladamente, similarmente ao ABS. Assim como outras alternativas de materiais para enxerto ósseo, o BCC é eficaz para preenchimento de defeitos ósseos periodontais, mas a obtenção de uma "real" regeneração periodontal precisa ser melhor avaliada com outras pesquisas, inclusive com avaliações histológicas.
Revisado por: Renato de Vasconcelos Alves. Doutor em Periodontia – FOP/Unicamp; Professor adjunto - Disciplina de Periodontia – FOP-UPE.
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