A Periodontia objetiva a manutenção dos elementos
dentais com saúde e conforto, por meio da prevenção e do
tratamento que se faz necessário. Mas quando não é mais
possível preservar um ou mais dentes na cavidade bucal com
o tratamento periodontal, a colocação de implantes é uma
alternativa extremamente satisfatória. No entanto, antes de
condenar ou não um dente, é imprescindível analisar os diversos
fatores ligados à lesão ou aqueles que influenciam no seu
estabelecimento e progressão.
Dessa forma, antes da extração do dente para a colocação
de implantes, é fundamental fazer uma avaliação periodontal.
E o primeiro passo começa com uma boa anamnese
e exame clínico do paciente. “Independente da terapia que
será adotada, a anamnese, o exame clínico completo e os
exames complementares, principalmente o de imagem, são
determinantes para um bom diagnóstico e plano de tratamento
adequados”, afirma Giuseppe Alexandre Romito, professor
associado da disciplina de Periodontia da USP e presidente
da Sociedade Brasileira de Periodontia (Sobrape).
“Muitos se esquecem que, por meio desses exames,
podemos traçar um perfil inicial do nosso paciente. Se levarmos
em consideração as duas principais patologias bucais
– doença cárie e periodontal –, tais exames nos indicam a
história bucal do indivíduo e nos levam a verificar qual a suscetibilidade
do paciente àquela(s) doença(s)”, ressalta Romito.
“No caso específico da Periodontia, é importante avaliar
qual o histórico periodontal e qual o nível de perda clínica de
inserção que o paciente apresenta, isto em razão da possibilidade
do paciente doente periodontal apresentar a doença
peri-implantar no futuro”, acrescenta.
Para Marcelo Bassani, especialista e mestre em Periodontia
e coordenador de cursos de especialização em
Periodontia, os exames permitem identificar a presença da
doença periodontal (DP), classificando-a de acordo com o
risco e o desenvolvimento dessa doença. “Para cada tipo de
DP existe um prognóstico, baseado na avaliação dos riscos
de cada paciente. Fatores genéticos, fatores modificadores,
como agentes externos, hábitos parafuncionais, doenças sistêmicas
podem alterar o curso e a evolução dessas DPs.
Portanto, identificar o paciente que estamos tratando com
implantes é muito importante para minimizar riscos futuros
que possam comprometer os implantes e/ou um planejamento
reabilitador”, informa.
A anamnese, confirma Luiz Alves de Lima, professor
associado da disciplina de Periodontia da USP e coordenador
do curso de Pós-graduação em Periodontia da Fousp, é
previamente indispensável a qualquer procedimento odontológico.
“Torna-se ainda mais importante nesse caso, em que
é preciso coletar informações referentes às condições de
saúde (como por exemplo, diabetes) e hábitos (como o fumo)
que possam ter influência no futuro procedimento cirúrgico
e/ou na resposta ao tratamento periodontal”, lembra Lima.
Conforme ele, ainda, além da influência no procedimento
cirúrgico, a diabetes é considerada fator de risco para a doença
periodontal e pode influenciar na resposta ao tratamento.
“Assim, torna-se clara a importância do controle glicêmico do
paciente. Apesar das publicações mostrarem uma tendência
a maiores taxas de fracasso com implantes em diabéticos, o
nível de evidência científica ainda é baixo, indicando que mais
estudos e de melhor qualidade são necessários”, pondera.
“Do mesmo modo, além de influenciar no resultado do
procedimento cirúrgico, o hábito de fumar é considerado fator
de risco para a doença periodontal e pode influenciar na
resposta ao tratamento. Assim, a interrupção do hábito, ou
melhor ainda, sua cessação, é fundamental para o êxito do
tratamento. O fumo é considerado fator de risco para o sucesso
de implantes colocados em osso preexistente ou após
elevação do assoalho do seio maxilar, e para a perda óssea
ao redor dos implantes (odds ratio 2.2 a 10). Fumantes têm
maior risco de desenvolverem peri-implantite do que não fumantes
(odds ratio 3.6 a 4.6). As evidências sugerem que
quanto mais cigarros o paciente aspira, maiores os efeitos
deletérios do fumo”, completa Lima.
Dessa forma, é extremamente necessário realizar o exame
clinico completo, uma vez que a partir dele é possível estabelecer
diagnóstico preciso e executar planejamento adequado.
Por isso, Lima lembra da necessidade de se estabelecer
qual o tipo, a severidade e a extensão da doença periodontal.
“De posse de informações detalhadas, poderemos definir o
prognóstico de cada dente e dos arcos e, assim, estabelecer
as melhores alternativas de tratamento. Pacientes com história
de doença periodontal (HDP) tratada mostraram, na sua
maioria, taxas de ‘sobrevida´ de implantes > 90%. Apesar
disso, as taxas de sucesso de implantes em pacientes com
história de doença periodontal tratada são menores do que
em pacientes sem histórico de doença periodontal (DP). Da
mesma forma, pacientes com HDP apresentaram maior risco
de desenvolverem peri-implantite do que pacientes sem histórico
de DP (odds ratio 3.1 a 4.7)”, esclarece Lima.
Marcelo Bassani
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Segundo Márcio Fernando de Moraes Grisi, professor
associado e livre docente do Departamento de Cirurgia e
TBMF e Periodontia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, também considera a anamnese é de extrema
importância para o profissional e para o paciente que deve
ser submetido ao tratamento periodontal e de implantes. “As
análises de sua condição sistêmica podem, muitas vezes, determinar
modificações nas condutas terapêuticas e introduzir
medidas e condutas para minimizar os chamados fatores de
risco que influenciam diretamente o diagnóstico e o prognóstico
do tratamento”, sugere.
De acordo com Wilson Trevisan Jr, professor associado
da disciplina de Periodontia da Universidade Estadual de Londrina,
a história clínica e médica pregressa do paciente é de
vital importância para a proposta de tratamento. “Uma avaliação
clínica criteriosa nessa fase é importante para evitar
complicações futuras. Ademais, todo tratamento periodontal
deve ter sido concluído antes de submeter o paciente à cirurgia
de implantes osseointegráveis”, garante.
Além de realizar a anamnese do paciente, existem alguns
cuidados que devem ser tomados durante o tratamento
periodontal para a prévia colocação de implantes. “O primeiro
passo” – recomenda Bassani –, “é identificar e diagnosticar
a doença periodontal para podermos classificar os pacientes
quanto ao risco e o desenvolvimento da DP. Todos os
procedimentos básicos devem ser realizados previamente
à instalação de implantes, como orientação, motivação dos
procedimentos de higienização, procedimentos de raspagem
e alisamento coronorradicular, polimentos e profilaxias, além
de minimizar procedimentos cirúrgicos que possam gerar
reabsorções e remodelações ósseas pelo processo de cicatrização”,
enumera Bassani.
Grisi, da mesma forma, ressalta que primeiramente é
preciso realizar um correto diagnóstico da doença periodontal
que o paciente apresenta. “Quando falamos em diagnóstico,
devemos lembrar que, além de um diagnóstico geral do
tipo de doença: crônica ou agressiva, devemos estabelecer
um diagnóstico dente a dente, baseados em critérios bem
estabelecidos na literatura periodontal quanto ao grau de per-
Periodontia e Implantodontia
12 Revista PerioNews 2010;4(1):10-5
da de inserção periodontal que o elemento dental apresenta.
Em segundo lugar, todo o tratamento periodontal associado
a causa deve ser realizado envolvendo uma motivação do
paciente para o controle mecânico da placa bacteriana ou
biofilme, por meio de meios convencionais (escovas e fio ou
fita dental) e meios auxiliares, um minucioso procedimento
de raspagem supra e principalmente subgengival, visando o
controle e, se possível, a eliminação da infecção periodontal.
Temos de levar em conta que para qualquer tratamento
periodontal reconstrutivo e regenerativo, só podem ser instituídos
após o completo controle e eliminação da infecção
periodontal, e este fato se reveste de extrema importância,
quando o paciente também vai ser submetido a terapia com
implantes”, recomenda.
Romito considera obrigatório o tratamento periodontal
prévio à cirurgia para a instalação de implantes. “Estudos que
avaliaram a condição microbiológica de pacientes portadores
de doença periodontal e que foram submetidos a cirurgia
para instalação de implantes mostraram que a colonização
por micro-organismos periodontopatogênicos ocorreu sobre
a superfície dos implantes. Como não temos como identificar
aqueles pacientes suscetíveis, aumenta o risco do paciente
apresentar peri-implantite no futuro e, consequentemente, a
perda do(s) implante(s)”, adverte.
Para Trevisan, deve-se avaliar as áreas que irão receber
implantes com bastante atenção: “se não houver tecido ceratinizado,
torna-se necessário criar uma faixa funcional de
mucosa inserida e ceratinizada, com espessura suficiente
para permitir higienização do futuro sulco peri-implantar. Nas
regiões dentadas, os procedimentos periodontais deverão
restabelecer um tecido periodontal saudável, que deve ser
mantido sob controle constante”, assinala.
Promover a cessação de hábitos como o fumo e controlar
condições sistêmicas, como a diabetes, para estabelecer-
se a oportunidade cirúrgica são procedimentos
essenciais do ponto de vista de Lima: “extrair os dentes
condenados e utilizar todos os recursos de tratamento
periodontal necessários (cirúrgicos e não cirúrgicos) para
restabelecer a saúde periodontal. Apenas após a recuperação
da saúde periodontal deve-se passar a execução dos
procedimentos cirúrgicos de colocação de implantes e de
reconstrução alveolar. Lembrem-se que os patógenos periodontais
que estão associados a doença periodontal são
os mesmos associados a peri-implantite. Esses patógenos
presentes nas bolsas periodontais são capazes de colonizar
os sulcos peri-implantares rapidamente”, afirma.
Márcio Fernando de Moraes Grisi
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No tratamento periodontal, um outro item que deve ser
visto com apuro é o espaço biológico em relação a função e
a estética periodontal e a colocação de implantes. “O espaço
biológico em dentes é definido como uma barreira biológica
formada por tecido epitelial e conjuntivo que veda o segmento
tecidual do meio bucal. Em implantes, esse espaço biológico
apresenta características semelhantes em tamanho e
composição tecidual. Fatores tais como biocompatibilidade
dos componentes transmucosos, contaminação destes componentes
e número de retiradas e recolocações podem interferir
na integridade e na saúde do espaço biológico como
barreira. Na cirurgia para instalação de implantes em áreas
estéticas, não somente o correto planejamento, como por
exemplo a correta escolha do implante – plataforma – levará
a um melhor resultado estético, respeitando as dimensões
do espaço biológico”, pondera Romito.
Segundo Lima, a invasão dos espaços biológicos ao redor
de dentes (como por cárie ou bordos cervicais de restaurações),
pode levar a perda de altura da crista óssea alveolar,
resultando no aprofundamento do sulcogengival ou numa retração
gengival, ambas situações ruins para a saúde e para a
estética. “Ao redor de implantes, porém, a posição da crista
óssea peri-implantar é definida no momento do procedimento
cirúrgico. Sabemos também que é a posição dessa crista óssea
que irá definir a presença da papila interproximal. Assim,
além dos cuidados trans e pós-cirúrgicos, fundamentais para
evitar-se perdas teciduais, devemos levar em consideração
alguns parâmetros definidos pela literatura”, assinala.
“Os cuidados relacionados à cirurgia incluem a esterilização
adequada dos instrumentos, incisões precisas, manuseio
dos retalhos, irrigação, entre outros, pois deles depende a qualidade
da reparação tecidual. Não menos importante é o cuidado
pós-operatório com clorexedine a 0,12%, duas vezes ao dia, por
quatro semanas e o controle profissional semanal, pois sabemos
que o controle do biofilme no pós-operatório é fundamental
na qualidade da reparação tecidual”, orienta Lima.
Conforme ele, ainda, a literatura mostra que o resultado
estético da colocação de implante unitário entre dois dentes
hígidos e com periodonto normal é bastante previsível. “Isto
acontece porque as papilas gengivais interproximiais serão
suportadas pelas cristas ósseas presentes junto aos dentes
adjacentes, isto é, se soubermos preservá-las conseguiremos
bom resultado. A superfície do corpo do implante deve estar,
no mínimo, a 1,5 mm de distância da superfície radicular, pois
há que se preservar o espaço do ligamento periodontal e mais
1 mm de osso alveolar ao redor do implante. A distância da crista
óssea ao ponto de contato interproximal não deve ser maior
que 5 mm. Deve ser preservado ao menos 1 mm de espessura
em osso alveolar na face vestibular ao implante. Esta deve estar
3 mm apical a JEC dos dentes adjacentes. A plataforma do implante
deve ser posicionada entre 1 mm e 3 mm apical a junção
cemento-esmalte dos dentes adjacentes, dependendo do tipo
de implante utilizado. A inclinação do eixo axial do implante deve
estar entre a incisal e o singulo. No caso de implantes adjacentes,
o resultado estético ainda não apresenta o mesmo nível de
previsibilidade, mas devemos respeitar a distância mínima de
3 mm entre as superfícies do corpo dos implantes para que a
crista óssea entre os implantes seja preservada”, explica.
De acordo com Trevisan, a necessidade estética obriga
a manutenção de sulcos peri-implantares profundos para obter
adequado perfil de emergência e pseudopapila. “Porém,
áreas posteriores, diferente das anteriores, podem e devem
ser mantidas com sulcos peri-implantares rasos, facilitando
a higiene. Independente da espessura da mucosa, esta deve
ser sempre resiliente e ceratinizada”, destaca.
Para Bassani, o principal ponto a ser observado é o posicionamento
tridimensional durante a colocação cirúrgica dos
implantes. “O correto posiciomento, de acordo com o tipo e
o desenho do implante, aguardando as devidas ou possíveis
reabsorções ósseas naturais nos primeiros meses após sua
instalação, são determinantes quanto aos resultados estéticos
esperados, bem como sua manutenção e longevidade. Existem
distâncias mínimas a serem observadas para que a arquitetura
gengival ao redor desses implantes possa ser obtida o mais
próximo comparativamente aos dentes naturais”, argumenta.
Ele acrescenta também ser necessário ficar claro que
existem situações em que grandes perdas ósseas são observadas,
limitando biologicamente os resultados estéticos e algumas
situações e inviabilizando a colocação dos implantes.
“As distâncias entre implantes e entre dente implante, são
motivos de muitos estudos para que a configuração final seja
harmônica entre coroas e dentes naturais e tecidos gengivais
peri-implantares”, complementa.
Grisi lembra que as análises devem ser feitas após um minucioso
exame clínico e radiográfico. “Radiografias periapicais,
obtidas pela técnica de paralelismo, convencionais ou digitais,
radiografias panorâmicas e tomografias. Deve se fazer um
check list estético, analisando o biótipo periodontal, a forma e
o contorno dos tecidos periodontais, a presença ou ausência
das papilas interdentais, a presença de black space. A forma
e o tamanho dos dentes remanescentes, a proximidade das
raízes entre si e com os espaços anodônticos. Estes são um
dos inúmeros fatores que devem ser considerados para uma
análise estética, envolvendo procedimentos periodontais e de
implantes, associados ou não”, complementa.
E nos casos de pacientes que perderam 50% de suporte
ósseo pela doença periodontal, podem ser submetidos a
colocação de implantes? Quais os cuidados que devem ser
tomados?.
Wilson Trevisan Jr
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Conforme Trevisan, o remanescente ósseo é importante
para instalar as fixações, necessitando altura e espessura
suficientes, porém pesquisas mostram ser perfeitamente
possível reabilitar com implantes mais curtos. Ao se fazer o
planejamento reverso, com enceramento diagnóstico, devese
esculpir as coroas e as raízes em tamanho real, simulando
recessões onde houver perda de tecido periodontal de suporte.
Desta forma, pode-se avaliar as diferentes possibilidades
de reabilitação nos aspectos relacionados à estética vermelha
e à branca. É possível, assim, optar por diferentes tipos
de prótese, evidenciando a realidade do tratamento com implantes
e suas limitações, podendo lançar mão de artifícios
como gengiva artificial (epítese) ou enxertos ósseos e/ou de
tecido mole”, informa.
Luiz Antonio Alves de Lima
|
Para Grisi, este é um tema bastante discutido na literatura
internacional: quando se deve indicar a extração de um
dente e substituí-lo por um implante. “O grau de perda de
suporte ósseo é somente um dos fatores. Precisamos avaliar
todos os indicadores clínicos de doença, como presença ou
ausência de sangramento a sondagem e exsudato, o grau
de profundidade clínica de sondagem e de mobilidade, a presença
e o grau de lesões de furca e o tipo de perda óssea
que o paciente apresenta, se é do tipo horizontal, angular
ou circunferencial. Além disto, devemos avaliar a importância
estratégica do elemento dental, e a real possibilidade de
regeneração do elemento dental, isto inclui a análise do custo-
benefício do procedimento regenerativo ou da colocação
de implantes. Devemos no lembrar que dentes com pouco
suporte periodontal podem ser mantidos em condições de
saúde e em função, desde que sejam adequadamente tratados
e, principalmente, quando o paciente for submetido a um
excelente programa de terapia periodontal de suporte. Outro
fator que não pode ser esquecido é a opinião do paciente, a
sua vontade e as suas necessidades. O bom senso tem de
prevalecer e as decisões devem estar baseadas em fortes
evidências científicas. Quando a extração for indicada, a análise
da necessidade de procedimentos de regeneração óssea
guiada precisa ser analisada, visando a manutenção adequada
do osso alveolar, muitas vezes prevenindo uma sequela
maior e a necessidade de procedimentos mais complexos,
para instalações de implantes”, pondera.
Romito não vê nenhuma contraindicação no planejamento
cirúrgico para pacientes que foram portadores de doença periodontal
e perderam mais de 50% de suporte ósseo. “Coloco
o verbo no passado, foram portadores de doença periodontal.
Como colocado anteriormente, não vejo a possibilidade de se
instalar implantes em pacientes portadores de doença periodontal
`ativa’. A perda óssea faz parte do processo da doença, o
que vai determinar se há possibilidade de se instalar o implante
é a quantidade e a qualidade de rebordo ósseo remanescente
e o correto planejamento da complementação protética. Além
de um correto exame clínico, é fundamental a realização de um
bom exame de imagem para se verificar a condição dos tecidos
duros. Caso este seja insuficiente, existem vária técnicas de enxertia
óssea que tem como objetivo criar condições favoráveis
para a instalação de implantes”, assegura.
De acordo com Lima, pacientes podem e devem se
beneficiar da reabilitação com implantes. “Os recursos disponíveis
para esses casos incluem, dependendo da disponibilidade
óssea, próteses fixas implantossuportadas (tipo
protocolo), sobredentaduras implantossuportadas, uso de
técnicas de reconstrução alveolar prévias ou associadas a
colocação de implantes, uso de implantes curtos com super-
De acordo com Lima, pacientes podem e devem se
beneficiar da reabilitação com implantes. “Os recursos disponíveis
para esses casos incluem, dependendo da disponibilidade
óssea, próteses fixas implantossuportadas (tipo
protocolo), sobredentaduras implantossuportadas, uso de
técnicas de reconstrução alveolar prévias ou associadas a
colocação de implantes, uso de implantes curtos com super
fície tratada”, indica. “Os implantes não devem ser colocados
na presença de doença periodontal. As extrações devem ser
feitas previamente, junto a colocação de prótese imediata.
Alternativamente, deve-se realizar o tratamento periodontal
básico prévio à extração e colocação imediata de implantes,
de modo a reduzir a contagem bacteriana total e dos patógenos
periodontais presentes”, acrescenta.
Bassani também acredita ser possível a colocação de
implantes nessa situação, desde que haja uma avaliação quantitativa
do tecido ósseo, além do ápice dos dentes que tiveram
essa perda óssea em relação as estruturas anatômicas adjacentes
a esses dentes como fossa nasal, seio maxilar, nervo
alveolar inferior, forâmen mentoniano. “Devemos também levar
em conta um aspecto muito importante quanto ao tipo de
periodonto que tem sua classificação baseada nas espessuras
ósseas e gengivais. Quanto maior e espessura entre as corticais
vestibulares e lingual, assim como quanto maior a espessura
de tecido conjuntivo gengival, menor será a reabsorção
e a remodelação nos processos de cicatrização dos alvéolos.
Os pacientes com periodonto do tipo I e II (Wilson & Maynard,
1979) apresentam pouca remodelação no processo alveolar
após extrações ou frente a progressão da DP”, destaca.
Para o não aparecimento das doenças periodontais e
peri-implantares durante e após o tratamento periodontal e
a colocação de implantes, existem algumas medidas de prevenção
que devem ser seguidas.
Segundo Lima, o controle profissional periódico (controle
e manutenção) e o diagnóstico precoce são fundamentais.
“O paciente deve ser inserido num programa de controle e
manutenção periódicos, devendo retornar ao consultório
num intervalo entre dois e quatro meses, dependendo da sua
situação periodontal. Evidente que o controle doméstico do
biofilme é parte imprescindível da prevenção, tanto da doença
periodontal quanto da peri-implantite”, afirma.
Para o diagnóstico das peri-implantites, Lima aponta
dois requisitos fundamentais:
1. Sulcos = 4 mm, sangramento a sondagem (+), presença
de cálculo e biofilme, sem perda óssea marginal. Realizar
reorientação de higiene bucal, raspagem nos implantes usando
instrumentos plásticos com reforço em fibra de carbono
e polimento.
2. Sulcos = 5 mm, sangramento a sondagem (+), supuração
(+), presença de cálculo e biofilme, perda óssea (+++).
“Nesta situação o paciente já tem peri-implantite e necessita
tratamento especializado”, pondera.
De acordo com Trevisan, o paciente portador ou não
de implantes deve receber tratamento periodontal, avaliação clínica/radiográfica e manutenção periódica, realizada
de forma efetiva pelos meios e métodos convencionais. “A
doença peri-implantar pode ser prevenida com a instalação
das fixações em áreas de tecido mucoso ceratinizado com
sulcos peri-implantares rasos, permitindo a utilização efetiva
de escovas. Áreas estéticas que necessitem de maior espessura
de mucosa e de sulco peri-implantar mais profundo merecem
atenção redobrada para a higiene. A distância entre os
implantes, o desenho das próteses, a textura do material, o
perfil de emergência, o acesso para a higiene e outros nichos
de retenção também devem ser considerados”, observa.
As medidas mais eficazes para a prevenção da doença
periodontal, conforme Romito, são: “bom controle mecânico
(escova e fio dental), compatível com saúde, do biofilme por
parte dos pacientes; terapia periodontal/implantar de suporte
profissional em intervalos regulares, estes determinados
pelo profissional baseado na história periodontal e perfil do
paciente; e uso de meios coadjuvantes, quando necessário,
à manutenção da saúde dos tecidos periodontais – enxaguatórios
bucais e antibióticos locais e/ou sistêmicos.”
Já Bassani ressalta a importância das manutenções periódicas
de acordo com o risco de cada paciente frente à DP.
“Quanto maior o risco à DP, menor deve ser o intervalo das
manutenções do tratamento das DPs e dos implantes. Observação
deve ser feita, pois, a qualidade e a quantidade da
placa bacteriana diferem em sítios de implantes e dentes naturais
e sítios doentes. Ênfase deve ser dada quanto à limpeza
mecânica interdental, quando a anatomia interproximal foi
alterada frente a DP”, avalia.
Segundo Grisi, as medidas preventivas devem ser a
espinha dorsal de qualquer tratamento odontológico. “A
conscientização do paciente da necessidade de mudanças
comportamentais para a manutenção de sua saúde devem
ser uma constante em todas as etapas de um tratamento
periodontal e de implantes. Medidas de controle mecânico e
químico do biofilme ou placa bacteriana tem de ser enfatizadas,
tanto nos casos de pacientes que foram submetidos a
tratamento periodontal quanto de implantes. O mais importante
é a conscientização do paciente e também dos profissionais
da necessidade de estabelecimento de um programa
de manutenção periodontal ou terapia periodontal de suporte.
Evidências científicas fortes na literatura periodontal demonstraram
claramente os efeitos benéficos, a longo prazo,
desses programas com relação a manutenção da saúde oral
dos pacientes. Estes resultados e estes programas podem
e devem ser extrapolados para os pacientes submetidos a
implantes que, sem dúvida nenhuma, são medidas preventivas
essenciais para controle das doenças periodontais e
peri-implantares”, explica.
Giuseppe Alexandre Romito
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| BOM SENSO E PROFISSIONALISMO |
Quando se trata da saúde bucal e da qualidade de vida
das pessoas, é fundamental que tanto periodontistas quanto
implantodontistas atuem com profissionalismo visando o
bem-estar de seus pacientes. As duas especialidades, Periodontia
e Implantodontia podem e devem caminhar juntas.
“Infelizmente, muitos profissionais têm causado mutilações
em pacientes portadores de doença periodontal somente
por `acreditarem’ que o implante osteointegrado é melhor
do que um dente que perdeu inserção clínica. Isto é balela!”,
indigna-se Romito. “Não devemos esquecer que a Periodontia
está baseada em mais de 40 anos de pesquisa científica e a
Implantodontia ainda está no início. O profissional atento não
deve perder a oportunidade de avaliar o seu paciente do ponto
de vista periodontal e entender biologicamente o que ocorreu
não somente na cavidade bucal, como também sistemicamente.
Com tais informações ele pode, com certeza, traçar um
melhor perfil do indivíduo. A utilização de implantes deve ser
mais uma ferramenta à disposição dos cirurgiões-dentistas
para recuperar a função e a estética, mas não deve ser utilizada
como alternativa à permanência de dentes passíveis de
recuperação. Não podemos esquecer que muitas vezes a utilização
de implantes é mais `fácil’ para o profissional, mas não
necessariamente um benefício para os pacientes”, adverte.
Da mesma forma, Lima lembra ainda que as doenças
periodontais podem ser tratadas e seu tratamento permite a
manutenção de mais de 90% dos dentes, mesmo com envolvimentos
de furca por mais de 10 anos, taxa de sucesso semelhante
a dos implantes. “As próteses fixas dentossuportadas
e as implantossuportadas apresentam taxas de sucesso
muito próximas após 10 anos, 89% e 86% respectivamente,
sendo que as complicações técnicas são mais frequentes
nas últimas. Deve-se evitar decisões simplistas pela extração
exagerada e, por vezes, generalizada de dentes com envolvimento
periodontal em favor da colocação de implantes. A
reabilitação com implantes é um recurso extraordinário e
devolve ao nosso paciente qualidade de vida, mas deve ser
usada com base cientifica”, conclui.